DOS DVDS AO STREAMING: CO-FUNDADOR CONTA A TRAJETÓRIA DA NETFLIX

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                                                                                               Mitch Lowe (Oracle Open World/Divulgação)

“Somos uma empresa muito sortuda, que conseguiu combinar pessoas, cultura e dados”. Essa é a definição que o empresário norte-americano Mitch Lowe deu para sua empreitada de maior sucesso até hoje. Ao lado dos fundadores Reed Hastings e Marc Randolph, Lowe foi um primeiros executivos da Netflix, ainda nos anos 1990.

O empresário falou ao público brasileiro sobre as transformações pelas quais a companhia passou nos últimos 20 anos durante o Oracle Open World, em São Paulo. Se você hoje faz maratonas das suas séries favoritas na plataforma de streaming e não conhece a origem da empresa, saiba que no começo era tudo bem diferente.
“Em 1997, o cenário da indústria era outro. O escritório do Google era no fim da nossa rua. A Amazon fazia propaganda na rádio. Não existiam smartphones e só metade das pessoas tinha celular. Foi nessa época que a Netflix nasceu como um serviço online de venda de DVDs pelo correio”, lembra Mitch. Era a época pré-bolha do “.com”, e várias empresas conseguiam investimentos de milhões de dólares – mas não a Netflix. “Lembro que marcamos uma reunião com um investidor e, enquanto esperávamos, saiu da sala um sujeito que conseguiu US$ 5 milhões para a empresa dele de fantoches de meia. Nós fomos rejeitados”, conta.

                                                                                              O envelope que a Netflix usava para enviar os DVDs alugados (Marit & Toomas Hinnosaar/Flickr)

Vender e alugar filmes em DVD através do site não era um modelo inovador, e a empresa precisava de algo diferente, que lhe garantisse uma renda mais fixa. “Existia uma Blockbuster em cada esquina, e o entendimento de e-commerce na época era só transportar seu negócio do mundo real diretamente para o virtual. Mas tinha um problema: as pessoas ainda precisavam devolver o filme dentro do prazo. Foi quando, em 2000, lançamos o modelo de assinatura: o cliente escolhia 4 filmes e podia ficar com eles o tempo que precisasse”, afirma o empresário.

O sistema de envio dos DVDs ainda era o tradicional correio – a Netflix nasceu quando Randolph percebeu que para enviar os discos, poderia utilizar só um selo de 32 centavos – o que acarretava em outro problema para o cliente, o tempo de entrega. Mitch conta que “em uma pesquisa, ouvimos de um consumidor que quando ele escolheu ver uma comédia, ele queria ver uam comédia naquele momento. No outro dia, quando o DVD chegava, ele estava mais no clima de ver um drama. E um dos nossos diferenciais é sempre dar muito ouvido ao que o cliente quer, estudar seu comportamento”.

Entregar filmes por streaming já era uma ideia, mas a tecnologia não permitia. No fim dos anos 1990, fotos eram novidade na rede e vídeos eram impensáveis. Mas em 2008 a conexão banda larga já tinha sido popularizada. “Começou como um bônus: você assina e leva o streaming de graça. Era uma forma de fazer as pessoas começarem a usar”, lembra o empresário. Deu certo e os concorrentes passaram a adotar a mesma tática. “Então tivemos a ideia de separar os serviços e aumentar o preço do streaming.
Quase que a empresa afunda e o valor de mercado caiu pela metade. Oferecemos 50% da Netflix para a Blockbuster por US$ 50 milhões. Eles recusaram e riram de nós. Hoje a Netflix vale US$ 150 bilhões”.

A finada Blockbuster (Stu pendousmat/Wikimedia Commons)

Mas com o tempo, deu certo. Para Mitch, o valor que eles deram aos dados colhidos dos usuários foi o que fez a diferença. “Queríamos replicar a experiência de ir numa locadora, conversar com as pessoas e pegar recomendações. Então contratamos 500 pessoas só para ver os filmes e catalogá-los de acordo com as preferências. Também percebemos que as pessoas gostavam de ver os episódios das séries em sequência, e implementamos o botão que já passa para o próximo capítulo direto, sem voltar para o menu”. Nascia a maratona.

O próximo passo foi se tornar mais independente dos estúdios e distribuidoras, e passar a produzir conteúdo próprio de qualidade. “Tem muita gente boa, fazendo bons shows no mundo todo. Um programa popular no México pode fazer sucesso também na Europa e é com esse espírito que fazemos nossos investimentos. Gastamos entre US$ 4 bilhões e US$ 8 bilhões com produções próprias, mais do que Fox, Disney e todos esses estúdios tradicionais”, conta Mitch.

A capacidade a empresa em analisar os 60 petabytes de dados que processa em seus datacenters e transformar isso em inovação para a indústria é o que permite a Netflix liderar seu segmento. “É importante olhar para frente, deixe os outros cuidarem do passado. Ainda hoje, a AOL fatura US$ 50 milhões com internet discada, bom para eles. Você só não pode ficar parado achando que as coisas vão mudar, com medo de tomar decisões erradas”, acredita o executivo.

                                                                                               Mitch Lowe (Netflix/Divulgação)

Publicado por Renato Mota UOL

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